Arte Poesia

 

Género

Poesia

Editora

Edições Oz

Lançamento

2015

João Morgado integra esta colectânea e apresenta poemas originais
Gaia Deusa-Terra Parideira

Era uma vez... e era uma vez primeira.
E era uma vez ninguém, mas que se fez parideira.
E passou a ser alguém. E era uma vez uma mãe.
E era uma vez uma deusa.
Não porque era deusa, mas porque era mãe.
E era uma vez o céu também, a cobrir a terra inteira.
E era uma vez a deusa-mãe a tirar filhos da algibeira.
E era uma vez muitos filhos de uma só mãe.
Alguns eram filhos dos filhos e eram filhos também.

E no útero de uma mãe cabe
a profundidade do mar e a altivez da montanha.
E por vezes cabe a dor tamanha
de gerar toda uma guerra de titãs.
Porque nem todos os filhos são manhãs,
e às vezes, quantas vezes, são revezes e escuridão,
porque se uns são filhos, os outros filhos são,
mas uns nascem na luz e outros não.

E por vezes, por vezes é preciso dar tempo ao tempo
para que a terra do céu seja decepada,
porque o útero que gera o amor também gera a espada.

E por vezes, quantas vezes, sabemos bem,
serem os filhos os carrascos de sua mãe.
e a morte será a filha derradeira,
da deusa-mãe, terra-parideira.

TagsÍndias Romance Vasco da Gama Herói

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